QUEM FOI JACQUES LACAN

 

Psiquiatra e psicanalista francês que estabeleceu o sentido de retorno à Freud e com fama de ter deixado uma obra de difícil entendimento.  

 

Lacan não se restringiu, em sua obra, apenas à psicanálise. Trata-se de uma abordagem multidisciplinar, entre linguística, antropologia, filosofia e também da matemática, que se compõe com o objetivo de aprofundamento da obra psicanálise freudiana.

 

O sentido de Freud é o sentido da subjetividade da palavra, ou seja, aquilo que é individual e intransferível no ser. A subjetividade é a tentativa de aplacar a angústia de não saber-se.  

 

Extremamente crítico ao excesso de medicação que reduz o ser humano à simples funções neuro funcionais, como causadores de um sintoma emocional. Ou seja, o problema do sujeito não é orgânico e sim uma doença do ser, da existência.

 

Para explicar os transtornos emocionais, Lacan se aproxima muito do conceito de alienação, que fundamenta o olhar clínico dele.

 

Estar alienado é estar separado de si. A composição do ego, lá na infância, separa a criança de si mesmo, pois esse ego que está sendo construído, funciona com uma capa tanto protetora quanto separadora. Esta “capa” separa a criança de quem ela é, se sua essência, e molda sua personalidade de acordo com o que o ambiente externo exige. A criança passa a ser aquilo que quiseram que ela fosse e quanto mais ela corresponde a essa exigência externa, mas separada é alienada de si, ela se torna. O sofrimento se estrutura nesse excesso do outro no Eu.

 

Essa alienação, o movimento do abandono de si, atrai a observação de Jacques Lacan, que passa a entender que a causa de maior sofrimento do indivíduo é nada mais nada menos que seu Ego. Esse ego, que foi “dado” pelo outro, causa uma abafamento, um assujeitamento, de quem o indivíduo é de verdade.  

 

O sintoma é percebido então como a tentativa do eu assujeitado pelo ego, tentando se revelar. Justamente por isso, o sintoma passa a ser visto, por Lacan, como algo positivo, como uma tentativa e desejo de ruptura do sujeito frente ao ego. É como se houvessem dois Eus, o eu verdadeiro e o eu dado pelo outro.

 

Por isso entendemos que o conceito de alienação é fundamental para o entendimento da teoria de Jacques Lacan.

 

Crises de auto estima, autosabotagem, crises existenciais, são as representações desse conflito interno, os Eus que nos habitam. Temos um embate entre a verdade do desejo e a ideia que se tem de si.

 

O ser humano encontra-se separado de si.

 

 

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