AS PULSÕES E O INCONSCIENTE


Podemos entender que o inconsciente é composto, feito, “recheado” de pulsões rejeitadas de acessar à consciência e que determinam os pensamentos e as ações não entendidas pelo indivíduo.

O inconsciente é efeito do recalcado. É estruturado a partir do recalcamento das pulsões. E por pulsões podemos entender um tipo de ponte que liga a dona como o material se comunica com o imaterial. É uma espécie de fronteira entre o simpático e o psíquico.

O comportamento do indivíduo é atravessado por emoções, por pulsões. E pulsões é a forma que Freud entendeu pra falar sobre o desejo.

As pulsões são desejos querendo ser realizadas. E podemos entendê-las como energia que anima representações psíquicos que buscam alcançar a satisfação desse desejo.

A pulsão é inconsciente. E ela “escolhe” uma representação psíquica, um símbolo, uma ideia, para “personificar” o desejo, para atribuir objetividade ao inacessível. Ou seja, não temos acesso as pulsões, ela nunca se apresenta tal qual ela é, e sim através de representações.

Por exemplo: desejo tomar um café. A pulsão não deseja o café, mas sim algo que conseguirá se realizar através desse símbolo café.

Uma pulsão nunca encontra 100% de satisfação, pois ela não é acessível não entendível. É justamente por nunca ter acesso à pulsão como ela é, isso estrutura uma falta no ser humano, uma impossibilidade de gratificação total e plena. O indivíduo nunca consegue encontrar o que deseja, simplesmente porque ele não consegue acessar o que realmente deseja e sim substitutos desse desejo.

O ser humano passa a vida em busca da realização do desejo, exercendo satisfações incompletas nessas representações substitutas de um desejo inacessível de suas pulsões e sendo um eterno insatisfeito.

Mas é justamente isso que garante que a pulsão seja o mantenedor da vida, pois move o indivíduo à uma busca incessante de realização.

A realidade do indivíduo é a realidade das pulsões. O real é inacessível.

A pulsão precisa ter uma fonte. A fonte da pulsão é sempre corporal. E a necessidade de realização da pulsão estrutura tensão. A pulsão é sempre direcionada para o outro, o corpo do outro. Ou seja, o indivíduo vai sempre buscar no outro a tentativa de satisfação da pulsão que surge em si.

A pulsão surge, tenciona e move a ação busca do outro com o objetivo de alcançar satisfação.

Então entendemos que o recalque da pulsão é o recalque da ação.

Falas, maneiras de ser, ações, tudo é paralisado em nome de um ideal de si que não aceita a pulsão tal como ela é. O inaceitável é mandado de volta ao seu lugar de origem através do recalque e o que é aceito vem à consciência através de representações das pulsões originais.

A pulsão tenciona, depois passa pelo crivo da auto imagem, do ideal de si, e a partir daí encontra dois caminhos:

1 O inaceitável é barrado pelo recalque e retorna ao inconsciente.

2 O aceito surge através de desejos substitutos, de “materialização” daquilo que não é acessível que é a pulsão “in natura”, que não acessível e a partir daí é realizado através de uma ação aprovada pelo ideal de si.

Todo o conteúdo que não foi aceito de passar para a consciência retorna através de sintomas. A isso damos o nome de retorno do recalcado. Pois a pulsão quer ser realizada e gratificada. Seja através da realização por uma representação ou seja através de um sintoma.

O sintoma é uma espécie de descarga energética da pulsão recalcada.

E o barrado de ascender à consciência é tudo aquilo que o indivíduo entende que se fosse realizado, destruiria a imagem que ele construiu de si mesmo.

E a construção da auto imagem, esse ideal de si, é construído com o objetivo de ser amado e desejado.

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