A PRÁTICA CLÍNICA

 

A psicanálise está assentada numa regra fundamental que é a livre associação de ideias.

 

Isso significa deixar o indivíduo falar o mais livremente possível sobre as coisas que lhe afetam.

 

Isso pode parecer muito simples, mas a experiência clínica demonstra que falar sobre o que dói, sobre o que lhe afeta é extremamente difícil e a psicanálise entende que o indivíduo sofre justamente daquilo que não fala.

 

A fala tem o poder de alívio e principalmente faz surgir a possibilidade de alteração de realidade psíquica. Ao falar e se escutar, o indivíduo corre o risco de alterar sua realidade. E aquilo que ele não “ouve” o analista aponta.

 

Ao estruturar palavras para tentar se explicar, ao discursar sobre si, surge a subjetividade humana no verbo.

 

A palavra é o maior representante da subjetividade humana. E essa subjetividade só pode surgir mediante a liberdade discursiva ofertada pelo analista.

 

O analista autoriza o livre discurso, sem moralidade e julgamento, mas com intervenções para que o indivíduo aprofunde sua fala e com isso possa sair de cada sessão, sabendo de si um pouco mais do que ele sabia quando entrou na sessão.

 

O sofrimento humano está extremamente ligado a um não saber-se.

 

O saber surge quando se pode falar livremente para alguém que tem a competência de escutar.

 

A partir da prática clínica, saberes ocultos revelam-se numa sessão. O falar implica o indivíduo no próprio discurso. E é esse discurso que tem a potência de realizar as mudanças na vida do indivíduo.



 

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